Quem pede três orçamentos para criar um website profissional em Portugal pode receber três números que parecem não ter nada a ver uns com os outros, por exemplo 400 €, 2.500 € e 9.000 €. Nenhum deles está necessariamente errado. Estão a orçamentar coisas diferentes, com pressupostos diferentes, e quase nunca os escrevem. Este guia reúne os preços de referência publicados no mercado português em 2025 e 2026, explica o que faz o valor subir ou descer, compara freelancer, agência e plataforma do tipo "faça você mesmo" e termina com quatro cenários de orçamento em que cada pressuposto está à vista.
Um dado de contexto: segundo o INE, em 2025 62,9% das empresas com 10 ou mais pessoas ao serviço tinham website próprio, e quase metade dessas (49,9%) disponibilizava conteúdo em pelo menos duas línguas. Ter um site já não diferencia ninguém. Ter um site rápido, claro e fácil de manter, sim.
Preços de referência no mercado português
Há duas famílias de fontes, e convém lê-las em separado.
Plataformas de orçamentos. A Zaask publica uma tabela de preços para criação de sites (consultada em novembro de 2026) com estes valores médios:
| Serviço | Referência |
|---|---|
| Site institucional com 5 páginas estáticas | 350 € a 500 € |
| Freelancer de criação de sites (projeto) | 150 € a 1.750 € |
| Freelancer de desenvolvimento web (hora) | 30 € a 80 €/h |
| Agência de criação de sites (hora) | 80 € a 125 €/h |
| Manutenção do website | 40 € a 160 €/mês |
| Alojamento partilhado | 2,50 € a 15 €/mês |
| Alojamento VPS | 18 € a 85 €/mês |
A própria Zaask avisa que os valores do site institucional não incluem base de dados nem alojamento. Na página dedicada ao WordPress, indica um custo médio de 650 €, com variação entre 300 € e 6.800 €. Para comércio eletrónico, a mesma plataforma aponta para cerca de 1.500 € como ponto de partida de uma loja "minimamente competitiva" e 3.000 € a 15.000 € para uma loja desenhada e desenvolvida à medida. A Fixando, por seu lado, mostra para desenvolvimento web um preço médio por hora de 42 € na sua tabela de 2026.
Preços publicados por agências e profissionais. Algumas empresas portuguesas publicam valores "desde", sem IVA. A DEMARCA indica site institucional desde 2.495 € e loja online desde 2.495 € (até 5 produtos). A designer Joana Parente publica landing page desde 1.200 €, website de 5 a 8 páginas desde 2.400 € e portais, lojas ou web apps desde 6.000 €. A Propulseo, em Lisboa, refere 1.200 € a 8.000 €, com um investimento típico de 3.200 € a 6.400 € para um site institucional.
Como ler esta diferença? Os valores das plataformas de orçamentos são, na prática, o chão do mercado: incluem muitos trabalhos pequenos e não incluem estratégia, textos, fotografia nem alojamento. Os preços das agências incluem normalmente design próprio, configuração técnica, SEO de base e acompanhamento. Comparar o valor mais baixo de uma fonte com o mais alto de outra é a forma mais rápida de tomar uma má decisão.
O que faz variar o preço de um website
O número de páginas é o fator que toda a gente conhece, mas raramente é o que mais pesa. Estes são os elementos que realmente movem o orçamento:
- Design: modelo adaptado ou desenhado de raiz. Um tema comprado e adaptado às cores da marca é muito mais rápido do que um design criado para a empresa, com protótipo e revisões. Os temas de WordPress custam, segundo a Zaask, entre 10 € e 200 € (pagamento único).
- Número de modelos de página, não de páginas. Dez páginas de serviço com a mesma estrutura custam pouco mais do que uma. Uma página inicial, uma página de serviço, uma página de caso e um blog são quatro modelos diferentes, e cada um tem de ser desenhado, programado e testado.
- Gestão de conteúdos (CMS). Se a sua equipa vai editar textos e publicar artigos, o site precisa de um painel de gestão bem configurado. Um site estático sem painel é mais barato à partida e mais caro sempre que for preciso mudar uma vírgula.
- Conteúdos. Quem escreve os textos e quem fornece as fotografias? Este ponto atrasa mais projetos do que qualquer questão técnica e é frequentemente omitido dos orçamentos.
- Comércio eletrónico. Uma loja online acrescenta catálogo, variantes, stock, portes, métodos de pagamento portugueses (MB WAY, Multibanco), e-mails transacionais e, muitas vezes, ligação a um programa de faturação certificado pela AT. Cada integração é trabalho adicional.
- Multilingue. Cada língua multiplica a revisão de textos, os metadados de SEO e os testes. Não é só "traduzir".
- SEO técnico. Estrutura de URLs, dados estruturados, velocidade, versão móvel, redirecionamentos de um site antigo. Planear isto desde o início custa menos do que corrigir depois.
- Integrações. CRM, newsletter, marcações online, área de cliente, ERP. É aqui que um projeto de 2.000 € passa a 8.000 €.
- Obrigações legais. Política de privacidade e cookies conforme o RGPD, ligação visível ao Livro de Reclamações Eletrónico e, para lojas online que não sejam microempresas, os requisitos de acessibilidade do Decreto-Lei n.º 82/2022, em vigor desde 28 de junho de 2025.
Freelancer, agência ou plataforma "faça você mesmo"
Não há uma opção melhor em absoluto. Há a opção adequada ao que o site tem de fazer pelo negócio.
Plataforma do tipo "faça você mesmo" (Wix, Squarespace, Shopify). O custo de entrada é baixo e previsível. Em setembro de 2026, os planos anuais do Wix em Portugal custavam 14 €, 25 € e 34 € por mês sem IVA (Light, Core e Business), e o plano Basic da Shopify custa 19 € por mês com pagamento anual ou 27 € com pagamento mensal, mais taxas de cartão a partir de 1,8% + 0,30 €. Funciona bem para uma presença simples ou uma primeira loja com poucos produtos. O custo real é o seu tempo, os limites de personalização e a dependência da plataforma: o site não sai dali com facilidade.
Freelancer. Uma pessoa, um interlocutor, preços mais baixos. É uma boa escolha para um site institucional bem delimitado. Os riscos são a disponibilidade (férias, doença, outros clientes) e a continuidade: se o freelancer deixar de estar disponível, quem conhece o site? Peça sempre acessos administrativos, documentação e o domínio em nome da empresa.
Agência ou estúdio. Mais pessoas envolvidas (design, desenvolvimento, conteúdos, gestão de projeto), processo mais estruturado e, em regra, preço mais alto. Faz sentido quando o site é um canal de aquisição de clientes, tem integrações, várias línguas ou uma loja online. Se está a avaliar este caminho, a página de criação de sites descreve como a Hanoon Labs organiza este tipo de projeto.
Custos recorrentes que o orçamento inicial não mostra
O preço de criação é um orçamento. O preço de manter o site no ar é outro, e repete-se todos os anos. Com base nos valores da Zaask:
- Domínio (.pt ou .com): cerca de 12 € por ano.
- Alojamento: 30 € a 180 € por ano em alojamento partilhado; 216 € a 1.020 € por ano num VPS.
- Manutenção: 40 € a 160 € por mês, consoante inclua só atualizações e cópias de segurança ou também pequenas alterações, monitorização e suporte.
- Licenças: temas e plugins premium, serviços de e-mail transacional, mapas, filtros antispam. Pergunte quais renovam anualmente.
- Plataformas de subscrição: num Wix ou numa Shopify, a mensalidade substitui o alojamento, mas acrescem apps pagas e comissões sobre vendas.
Um site sem manutenção não fica "parado": fica desatualizado. Atualizações de segurança, renovações de certificados e compatibilidade com novas versões de PHP ou de navegadores são trabalho real. Em projetos de comércio eletrónico, uma hora de loja em baixo é uma hora sem vendas, o que justifica um contrato de manutenção mais exigente.
O IVA e a leitura correta de um orçamento
Quase todos os preços publicados por agências e profissionais em Portugal são apresentados sem IVA. A taxa normal é de 23% em Portugal continental, 22% na Madeira e 16% nos Açores. Um orçamento de 2.500 € no continente significa 3.075 € a pagar.
Três notas práticas:
- Se a sua empresa deduz IVA, o custo efetivo é o valor sem IVA; o imposto é recuperado na declaração periódica.
- Um freelancer no regime especial de isenção (artigo 53.º do CIVA, para volume de negócios anual até 15.000 €) não liquida IVA. Para um particular ou uma empresa sem direito à dedução, isso torna o preço final mais baixo; para uma empresa que deduz IVA, a diferença é nula.
- Um fornecedor sem sede em Portugal que preste serviços a uma empresa portuguesa fatura, regra geral, sem IVA, e é a empresa adquirente que autoliquida o imposto. Confirme o enquadramento com o seu contabilista certificado.
Quatro cenários de orçamento, com pressupostos
Os cenários seguintes não são preços da Hanoon Labs. São contas feitas com os valores de mercado citados acima, para mostrar como se chega a um total do primeiro ano. Todos os valores estão sem IVA, com o total com IVA a 23% na última coluna.
| Cenário | Criação | Alojamento e domínio (ano) | Manutenção (ano) | Total ano 1 sem IVA | Com IVA 23% |
|---|---|---|---|---|---|
| A. Presença simples feita pela empresa | 0 € | 300 € (Wix Core) | 0 € | 300 € | 369 € |
| B. Site institucional, freelancer | 350 € a 1.750 € | 42 € a 192 € | 0 € a 480 € | 392 € a 2.422 € | 482 € a 2.979 € |
| C. Site de PME, agência | 2.400 € a 6.400 € | 192 € a 1.032 € | 960 € a 1.920 € | 3.552 € a 9.352 € | 4.369 € a 11.503 € |
| D. Loja online com 100–200 produtos | 3.000 € a 8.000 € | 240 € (Shopify Basic + domínio) | 960 € a 1.920 € | 4.200 € a 10.160 € | 5.166 € a 12.497 € |
Pressupostos de cada cenário:
- A. Plano Wix Core anual (25 €/mês sem IVA, setembro de 2026), que permite aceitar pagamentos; domínio incluído no primeiro ano; textos, imagens e montagem feitos internamente. O tempo da equipa não está contabilizado.
- B. WordPress com tema comprado, 5 páginas, formulário de contacto, textos e fotografias fornecidos pela empresa. Criação entre o valor mínimo da Zaask para 5 páginas e o máximo indicado para freelancers; alojamento partilhado; manutenção opcional a 40 €/mês.
- C. 8 a 10 páginas, design próprio, português e inglês, SEO técnico, blog. Criação entre o "desde" publicado por Joana Parente e o topo do intervalo típico da Propulseo; alojamento entre partilhado de gama alta e VPS; manutenção entre 80 € e 160 €/mês.
- D. Shopify Basic com pagamento anual (19 €/mês), MB WAY, Multibanco e cartão, ligação ao programa de faturação, catálogo importado de uma folha de cálculo. Criação no intervalo de 3.000 € a 8.000 € que a Vertt indica para uma loja profissional média. Não inclui comissões de pagamento: com 5.000 € de vendas mensais em 100 encomendas por cartão, seriam cerca de 120 € por mês (1,8% + 0,30 € por pagamento). A página da Shopify não esclarece se o preço inclui IVA; aqui foi tratado como valor sem IVA.
Se a loja precisar de integração com ERP, regras de preço por cliente ou vendas a empresas, o projeto sai deste cenário. Para esses casos, a página de criação de loja online explica o que costuma ser necessário. Um exemplo concreto de trabalho em comércio eletrónico é a migração da Kachouri Getränke-Service de Shopware 5 para WooCommerce, com 812 produtos e o CLS móvel reduzido de 0,44 para 0.
Como pedir orçamentos comparáveis
A melhor forma de baixar o custo de um site é reduzir a incerteza antes de pedir preço. Um briefing de uma página chega:
- Objetivo do site: gerar contactos, vender, recrutar, informar. Um só objetivo principal.
- Lista de páginas e modelos: página inicial, serviços, sobre, contactos, blog, loja.
- Línguas e quem traduz.
- Conteúdos: o que já existe, o que tem de ser produzido, por quem.
- Funcionalidades: formulários, marcações, pagamentos, área de cliente, integrações (indique os nomes do software que já usa).
- Site atual: se existe, quantas páginas tem e se há tráfego orgânico a proteger.
- Prazo e orçamento indicativo: um intervalo honesto poupa semanas de propostas desajustadas.
Depois, peça a cada fornecedor que discrimine criação, alojamento, licenças e manutenção, e que diga por escrito em nome de quem ficam o domínio, o alojamento e os acessos administrativos. Uma proposta que não discrimina estes pontos não é comparável com as outras.
Conclusão
Em Portugal, um website profissional pode custar desde algumas centenas de euros, numa plataforma ou com um freelancer para cinco páginas, até vários milhares, numa agência com design próprio, várias línguas e integrações. O intervalo é grande porque os projetos são diferentes, não porque o mercado seja arbitrário. O que protege o seu orçamento é saber exatamente o que está a comprar: âmbito escrito, custos recorrentes discriminados, IVA explícito e propriedade do domínio e dos acessos em nome da empresa. Com estes pontos claros, qualquer orçamento passa a ser comparável.











